PREFÁCIO “A ESCOLHA DO CÔNJUGE”

Dr. David Zimerman

Versão original e “quase” completa

É interessante observarmos que a passagem do tempo, muito embora nos coloque diante de novas oportunidades e desafios, não muda o ser humano, em sua essência. Disputas e guerras continuam ocorrendo, tanto entre nações, quanto na intimidade de nossos lares. Em contrapartida, também permanecem o desejo de amar e ser amado, de conviver com justiça, equilíbrio, saúde, paz e felicidade. Mas o fato é que aquilo que é ou parece ser inerente ao ser humano tem que se ajustar ao mundo em que vivemos “aqui e agora”.  Sempre foi assim: o meio modela o homem e o homem modela o meio, do qual fazem parte seus semelhantes e tudo o que existe dentro e fora de si mesmo.

Assim, quando pensamos nas motivações inconscientes para a escolha do cônjuge, podemos buscar subsídios em conteúdos que já vêm sendo examinados de longa data – mas não podemos parar por aí:

- As crianças, por exemplo, encontram novas realidades, desde as possibilidades de concepção até o estilo de vida e o que delas se espera.

- Os adolescentes já não tropeçam nas mesmas barreiras que seus pais e avós sofriam, em relação a vivências amorosas e sexuais – mas encontram outras, e nisto se inclui algumas mudanças de preconceitos, que se escondem atrás da imposição de que não haja preconceito algum.

- Em nossos dias, ressurgiu a consciência de que é necessário o estabelecimento de limites, em favor do indivíduo e da sociedade; no entanto, hierarquias têm sido desconsideradas, a baixa tolerância a frustrações tem gerado muitos transtornos, e ondas de violência têm sido observadas dentro dos lares, nas escolas e nas ruas.

- Tem se mostrado desafiador resistir aos apelos de consumo, que acabam por afetar também os relacionamentos, que – em muitas circunstâncias – revelam-se efêmeros, descartáveis e, portanto, incapazes de superar as frustrações do cotidiano.

- Casamentos formais ou informais são igualmente respeitados, mas o Direito cria novos estatutos, levando em conta fatos da atualidade como uniões estáveis, ainda que não legalizadas.

- Divórcios são muito melhor aceitos, seguidos por novos enlaces, e dando origem a novas configurações familiares, com suas complexidades e desafios.

- Uniões homoafetivas vêm conquistando respeito e espaço formal na sociedade, incluindo nisto a possibilidade de os casais de gays e lésbicas terem seus próprios filhos, sem se esconderem na clandestinidade.

- Ambos os parceiros são responsáveis pela área econômica, e isto acarreta em mudanças na distribuição de funções necessárias ao bom funcionamento da vida familiar, tendo em vista suprir necessidades e garantir conforto e segurança para todos.

- Ampliou-se significativamente a expectativa média de tempo de vida, e as pessoas têm podido envelhecer com muito mais saúde, vigor e dignidade do que antigamente, o que interfere também nas possibilidades amorosas e sexuais dos idosos.

- A psicofarmacologia evoluiu enormemente, contribuindo para saúde física e mental e oferecendo recursos eficazes também para o exercício da sexualidade e para a superação de disfunções nesta área.

- Existe maior conscientização a respeito de recursos psicoterápicos, tendo em vista a melhor qualidade de vida e de vínculos, e um número cada vez maior de pessoas têm buscado tratamento, visando superações de dificuldades emocionais e relacionais.

- “Viver bem” está relacionado a “conviver bem” e, contrariando em parte o que se observa em termos de superficialidades e consequente efemeridade na esfera do amor, o fato é que cresce significativamente a busca por psicoterapia de casal, atestando um crescente interesse em investir nos vínculos estabelecidos.

Isto e muito mais vem acontecendo em poucas décadas. Assim sendo, a reescrita do “A escolha do cônjuge – um entendimento sistêmico e psicodinâmico”, embora conserve a sua essência, apresenta algumas novidades na divisão e na reescrita de alguns capítulos e na redação de novos.

Vamos, portanto, sintetizar o que poderá ser encontrado neste livro:

 

Ele continua dividido em três partes.

  1. A primeira delas, “Introdução” está voltada para teorias que, de alguma forma, lançam as bases para o entendimento de que a escolha do cônjuge, o estilo e a qualidade da vida a dois não são obras do acaso. Ela tem causas e consequências, encontrando-se inserida na história de cada um dos parceiros.O capítulo I “Escolha do cônjuge – motivações inconscientes”sinaliza paradoxos que se apresentam, quando afirmamos que forças inconscientes, somadas a forças dos sistemas de pertencimento, são decisivas perante nossas possibilidades amorosas: como é que, diante de tais fatos, podemos afirmar que o homem é responsável por suas escolhas e pelo destino de suas relações?O capítulo II apresenta mudanças já no título, que passou a ser “Primeiros vínculos, a matriz fundamental”. Além de preservar os conteúdos essenciais desta escrita, procurei conceituar e desenvolver melhor o tema “vínculos”, relacionando o mesmo com necessidades básicas do ser humano nas mais diversas fases de seu desenvolvimento.O capítulo III, intitulado “O Casamento”traz em sua introdução um pouco de história: como esse vem se constituindo e modificando ao longo dos tempos? Onde entrava (e entra) a questão do afeto? Como se entrelaçam natureza e cultura? Que mudanças mais significativas têm ocorrido nas famílias e nos casamentos? O que há de novo nos vínculos homoafetivos? Conceitos e preconceitos – o que tem a ver um com o outro? De que forma o Direito tem se envolvido com as mudanças observadas na vida amorosa e sexual das pessoas, frente às oportunidades e desafios dos novos tempos? Além do medo à intimidade, focalizo o medo ao aprisionamento, e este capítulo passou a incluir ilustrações clínicas.O capítulo IV, “O inconsciente”, segue com poucas modificações, apenas alguns comentários a mais e vinheta clínica. Assim, examina a relação entre as possibilidades de escolha do cônjuge, o inconsciente e a memória emocional; propõe que existe uma seletividade nos processos de atração, indiferença e repulsa e que as opções são frutos da história de cada um de nós, ao mesmo tempo em que são decisivas na escrita da história presente e futura. Demonstra que “o casamento sonhado”, bem como o “casamento de fato” têm uma relação estreita com “o valor simbólico do objeto eleito”.

    O capítulo V, sobre “As contribuições da teoria geral dos sistemas”, também apresenta poucas modificações, de modo que segue focalizando o fenômeno da interdependência humana como constituinte. Analisa alguns conceitos básicos da Teoria Geral dos Sistemas, levando em conta as relações entre a parte e o todo e os efeitos de sermos, todos nós, participantes de grupos com histórias, normas e regras, de tal modo que, sem exceção alguma, sofremos e exercemos influências. Tais observações permitem que a enfermidade mental seja conceituada e compreendida a partir de novos ângulos, o que, por sua vez, abre novas perspectivas, tanto na profilaxia como nas abordagens terapêuticas.   Aqui são referidas as patologias de fronteiras, de alianças, de triângulos e de hierarquias, que acabam influenciando nas novas parcerias e nos destinos dos vínculos estabelecidos.

    O capítulo VI, sobre as “Contribuições oriundas da cibernética”, traz  como novidade algumas contribuições de Nichols e Schwartz, e segue procurando demonstrar como as organizações vivas lutam, com todas as armas possíveis, em prol da sobrevivência, empregando dois processos opostos, mas igualmente necessários, como a “morfotasis” e a “morfogênesis”, que podem funcionar de maneira saudável, mais ou menos equilibrada, ou disfuncional e, até, patológica. Entende que “pacientes identificados” e “bode expiatórios” são criados pelo sistema, que deles necessita para se manter, e isto vale também para as escolhas amorosas, que podem ser frutos de uma espécie de programação familiar, seja para manter a homeostasis ou para promover mudanças. Descreve o contraste entre “famílias imobilizadoras” e “famílias em mudança” e focaliza alguns pontos primordiais das terapias sistêmicas.

    O capítulo VI mudou um pouco o título, passando para “Contribuições oriundas da teoria das comunicações”. Segue centrado na história de uma adorável criancinha surda. Surda?… Não, isto não era verdade, mas a família, cega e ensurdecida para ela, conduziu-a para um mundo silencioso e hostil. Com algumas mudanças na redação, neste espaço são expostos alguns axiomas teóricos, como, por exemplo, que é “impossível não comunicar”, pois a comunicação ocorre através de diferentes linguagens: a analógica e a digital, obedecendo a regras ditadas pelos padrões de relacionamento. O comportamento é uma forma de linguagem, mas a interpretação das mensagens captadas sofre influência direta das experiências prévias de cada um de nós. A escolha do cônjuge e o modo como se estabelece a relação está diretamente ligada aos diferentes níveis de comunicação do casal, sendo que “mal-entendidos” tendem a funcionar como desencadeantes para desentendimentos.

    O capítulo VII, “Sobre um determinado ‘contrato secreto’”, segue tomando a história da criancinha surda como ilustração. Considera que casais e famílias têm seus vínculos delimitados por “acordos secretos”, ou seja, inconscientes, não-declarados, em torno dos quais fica estabelecida uma aliança, que pode ser funcional ou disfuncional, saudável ou patológica. A própria aliança terapêutica sofre os reflexos de alianças familiares, o que poderia e deveria se constituir em material de trabalho e crescimento, mas tendem a se apresentar como motivos de resistência e impossibilidades que, se não forem muito bem compreendidos, resultam em renovadas frustrações para todos os envolvidos. Relações amorosas são guiadas por “contratos secretos” e isto faz com que, em alguns casos, não consigam evoluir satisfatoriamente. Pactos, acordos conscientes, podem ser – e são – muito importantes, mas quando o elo tem como eixo central elementos que proíbem intimidade e prazer, a tendência é que se perpetuem conflitos e sofrimentos que vão passando de geração à geração.

     

  2. A segunda parte, “A família e a psicologia do desenvolvimento”reúne vários capítulos que enfocam vínculos, com suas características e funcionamentos.O capítulo IX, sobre “Funcionalidade e disfuncionalidade nas relações amorosas”, também permanece com poucas alterações. Apresenta conceitos e indicativos de funcionalidade ou disfuncionalidade familiar, demonstrando como a família dá origem aos indivíduos que dela fazem parte, ainda que mereçam ser considerados “sistemas com sub-sistemas próprios”. Menciona descobertas ligadas à chamada “década do cérebro” e recorta vários diálogos do maravilhoso romance “Vá onde seu coração mandar”, demonstrando uma íntima relação entre fatores psicodinâmicos e sistêmicos. Sugere que as experiências emocionais são organizadas em um “mundo interior”, do qual fazem parte heranças passadas de geração à geração, através de mensagens intergeracionais ou, dramaticamente, transgeracionais. Entende que a seleção de parceiros está, de alguma forma e em algum grau, “a serviço do sistema”, viabilizando a continuação da história.O capítulo X enfoca os “Primeiros vínculos”. Traz alterações na redação e no conteúdo, incluindo vinheta clínica. Mantém a mesma linha, no que diz respeito ao entrelaçamento entre as primeiras relações objetais enquanto bases da memória emocional e da aprendizagem para o amor. O bebê e a pessoa materna são examinados, tendo-se o devido cuidado para distinguir “pessoa materna” da “pessoa da mãe”. Novamente, questões relativas a heranças inter ou transgeracionais são mencionadas, e estão sendo destacadas a capacidade de estabelecer vínculos, o prazer em ser mulher e ser mãe, as frustrações e o amor maternos como algo que poderá se constituir – ou não – em um amor que confirma e liberta. A respeito do pai, fica acentuado o valor de o filho ser gerado como fruto de uma aliança, e sua vida ser investida desse significado. O exercício da parentalidade implica em parceria na maternagem, na diferenciação mãe-bebê e nas modificações do vínculo inicial. Ele introduz e representa uma síntese entre os opostos, relativos a questões de gênero, entre outras. Dada à sua presença na vida da criancinha – ainda que o casal esteja separado – favorece o processo de triangulação, funciona como modelo de identificação e objeto de amor, contribuindo para que o filho suporte o acúmulo de estímulos e desenvolva uma boa margem de tolerância a frustrações. O pai e a mãe têm uma influência decisiva no futuro de seus filhos. As relações fraternas, por sua vez, recebem maior espaço nesta nova edição, considerando-se que estas sofrem reflexos das histórias parentais, da mesma forma que merecem ser consideradas constituintes, com efeitos recíprocos, a curto, a médio e a longo prazo. É entre irmãos que as diferenças entre os pares se acentuam e o processo de triangulação se torna mais complexo. Aqui estão incluídas algumas reflexões a respeito da gestação e do nascimento sob a ótica do irmão mais velho, a distribuição de papéis e de funções no seio da família, alguns aspectos inerentes à posição de cada um e suas relatividades. A tendência é que pouco se pense quanto e como as fratrias podem repercutir nas futuras relações amorosas de cada um de nós.O capítulo XI englobava “Agressividade, inveja, culpa e controle” mas, agora, foi subdividido. Assim, o título atual restringe-se à “Agressividade e inveja”, partindo das “Reflexões para os tempos de guerra e de morte”, da autoria de nosso inesquecível Freud e incluindo ilustrações de conhecimento público. A energia agressiva fica ligada a aprendizagens vitais, algumas delas derivadas de medos e consequentes tendências a submetimentos e a camuflagens, podendo resultar em implosões e, também, em atos e em atitudes marcados por alguma espécie de violência. A elaboração de conflitos e o manejo da agressividade influenciam de perto as características de relacionamentos amorosos e sexuais. O inverso é verdadeiro: a liderança do amor permite maior tolerância a frustrações e o emprego positivo da energia agressiva disponível. Em relação ao fenômeno da inveja, segue sendo enfatizada a relação da mesma com a admiração, que pode ter significados e efeitos diversos. Dentre os aspectos mais primitivos, encontra-se a incorporação fantasiada e o desejo de posse sobre o objeto dito “de amor”, mas também podem funcionar como estímulo para os processos de identificação. Algumas invejas são destrutivas e, como tal, podem, inconscientemente, fazer parte tanto de relações de amizade, como de amor. Sentimentos de inferioridade intoleráveis estão por trás de invejas malignas. Em contrapartida, fala-se em uma “inveja boa”, esta sim merecendo funcionar como sinônimo de admiração, e atraindo as pessoas entre si, de modo a conduzir a novas aprendizagens, a trocas mutuamente vantajosas, ao manejo saudável da energia agressiva, sob a liderança da energia libidinal.O capítulo XII passou a abrigar o tema “Sentimentos de culpa, ressentimentos e controle”. Traz algumas reflexões de ordem conceitual e a contribuição de novos autores, diferenciando culpa e remorso, apontando possíveis fantasias de onipotência em algumas modalidades de sentimentos de culpa, associando-a à presença de transgressões e a diversos tipos de medo. Estabelece alguns elos entre culpa, reparação e mudança e associa algumas situações nas quais a confissão de culpas acontece movida por interesses escusos, sejam eles conscientes ou inconscientes. A questão de ressentimentos e de projeção de culpas também foi incluída neste capítulo, juntamente com a constatação de que algumas ligações ditas amorosas estão a serviço de sentimentos de culpa inconscientes. Neste ponto, entramos no tema “controle”, sugerindo que as atrações amorosas podem se constituir a serviço do desejo de submeter o objeto ao seu desejo de exercer controle ou, pelo contrário, encontrar nele alguma fonte de controle externo, a fim de suprir as deficiências na capacidade de autocontrole. Vinhetas clínicas acompanham estas considerações e o autocontrole segue sendo visto como vitória do indivíduo sobre si mesmo.

    O capítulo XIII albergou o tema “Os complexos”, aqui considerados como oportunidades evolutivas. No espaço destinado ao complexo de castração, o tema “idealizações primordiais” foi introduzido, tendo em vista justificar os seguintes, intitulados “decepções evolutivas”, “inferioridades sentidas” e “supervalorização do sexo oposto”. Dramas típicos, masculinos e femininos, são revisitados, abordando-se estereótipos, identificações e elaborações que fazem parte de processos amorosos e sexuais compartilhados pelos parceiros. O complexo de Édipo segue sendo examinado praticamente em sua íntegra, fiel a edições anteriores, demonstrando como a dinâmica da parentalidade e do relacionamento fraterno (Édipo compartilhado pelos irmãos) exercem efeito em futuros vínculos.

     

  3. A terceira parte, intitulada “A dinâmica do amor”, encontra-se centrada em temas ligados ao amor e à sexualidade humana. O capítulo XIV fala sobre “O Amor”. Trazendo novas contribuições teóricas, refere aos “quatro vínculos”, propostos por Zimerman, e inclui o conceito de “amor tantalizante”. De resto, com algumas alterações, estabelece elos entre a psicologia da criança e a aprendizagem para o amor, referindo aos objetos arcaicos, ao processo de triangulação, à evolução da libido, à aceitação das diferenças, a históricas dominações e à guerras entre os sexos. Refere a “jogos de amor-parcial” como frutos de ambivalências crônicas. Analisa o chamado “amor genital”, apontabdo a regulagem de energias instintivas e a marca das diferenças na base das reciprocidades. Confusões e ilusões acerca do tema “amor” também são analisadas, e Freud é novamente evocado, na análise de “pré-condições para o amor”. Aqui entramos no “amor-objetal”, como elo formado a partir da integração entre a libido objetal e a libido do eu, transformando-se o eu de cada um dos parceiros em objeto e fonte de libido, de modo a permitir maiores e melhores integrações.O capítulo X é inteiramente novo, e seu título é “A efemeridade no amor”. Analisa a contribuição de autores da atualidade, relacionando tendências ao descarte a ilusões típicas do amor romântico, à baixa tolerância a frustrações, à dificuldade em aceitar a alteridade e conviver com diferenças e divergências. Pulsões e desejos são apontados, juntamente com a super-valorização da imagem, a tendência a descartar o antigo, substituindo-o por novos objetos de consumo, entre outros fatores típicos da atualidade, que se refletem na esfera dos vínculos. Eros entra em cena, bem como rupturas e reconstruções, fidelidades e infidelidades e o conceito de “amor líquido”, que causou tanta repercussão, justamente pelo fato de ser, embora angustiante, tão adequado aos nossos tempos.O capítulo XVI volta atenções à “Fixação materna: a escolha impossível”. Mantendo-se fiel à edição anterior, avalia o drama de filhos que se vêm condenados a funcionarem como extensão de suas próprias mães. A presença ou a ausência do pai nesse modelo vincular pode contribuir para a auto-anulação do filho (ou filha) e/ou para uma pseudomaturidade que desembocam na relação entre os futuros cônjuges. Pais simbiotizantes, por sua vez, também podem estar sendo representados pela mulher que escolheram como mães de seus filhos.O capítulo XVII trata de “A carência básica do amor”. Toma citação do Pequeno Príncipe, em visita ao planeta habitado pelo Acendedor de Lampiões. Aponta características do indivíduo com tendências ao isolamento, enquanto tentativas de solução para conflitos inconscientes. Suas opções amorosas, seu modo de amar e ser amado, as frustrações e afastamentos que vivencia são plenamente afinados com suas fantasias inconscientes, devaneios e idealizações. Assim como há razões secretas para seu modo de ser, os pares com quem compartilha sua vida estão adequados a ele, podendo fortalecer os grilhões ou representar possibilidades de mudança.

O capítulo XVIII, sobre “A orientação narcisista” também permanece quase que na íntegra, mas apenas em seu final evoca a passagem do Pequeno Príncipe pelo planeta habitado por um sujeito vaidoso. Aqui, são trazidas principalmente contribuições psicanalíticas a respeito da conduta narcisista, mas também são discutidas algumas ideias que me parecem equivocadas como, por exemplo, as referentes ao narcisismo masculino (muitas vezes ignorado ou menosprezados) e ao feminino (muitas vezes supervalorizado e relacionado com questões que envolvem, principalmente, gênero).