Christian e Karin, queridos noivos!

É uma grande alegria estarmos aqui presentes, neste momento único, no qual vocês celebram o amor. O seu amor. Esse amor que é feito de admiração e ternura, de corpo e de alma, tão intenso e poderoso, que lhes dá vontade de estar perto, hoje, amanhã e sempre…

“Amar e ser amado” é um dos maiores anseios que movem a humanidade. Trata-se, este anseio, de mera utopia, completamente irrealizável? Ou o amor seria algo tão natural, espontâneo, gratuito e mágico, que não exigiria esforço algum? É possível vivê-lo com plenitude?

O amor é uma experiência a qual eu denominaria “uterina”, porque se passa no fundo do nosso ser. É algo que dali brota, ali é fecundado, se instala e se expande, transformando-nos cada vez mais em “nós mesmos”.

 

É como escreveu Pablo Neruda:

Desde então

E desde então, sou porque tu és.
E, desde então, és,
sou e somos…
E, por amor,
Serei… Serás…Seremos..

Ou como escreveu Roberto Carlos:

Posso dizer

Eu nunca imaginei que houvesse no mundo
Um amor desse jeito,
Do tipo que, quando se tem, não se sabe
Se cabe no peito…
Mas eu posso dizer que sei o que é ter
Um amor de verdade.
E, um amor assim, eu sei que é pra sempre
É pra eternidade.

O fato é que laços de amor apenas em parte são frutos do acaso. Baseados nessa convicção, Flávio e eu, em diversos momentos, brincávamos um com o outro: “Cuida bem do nosso amor”!”

E eu, agora, em nome dele e no meu, repito, para vocês, com todo o carinho, essa espécie de “segredo” ou de “mantra”, que caracterizou nossa aliança:

- “Sim, cuidem bem do seu amor!”

Cuidar significa, entre outras coisas, regular proximidade e distância; usar continuamente os pronomes “eu, tu e nós”; interessar-se um pelo outro, com uma saudável curiosidade e com o maior respeito; lembrar-se que o que de melhor nós temos a oferecer a quem amamos é a “nós mesmo, em boas condições”.

Cuidar também significa manter acesa a chama, o desejo, o calor, e tudo aquilo que caracteriza a relação entre macho e fêmea, entre homem e mulher…

Vocês são dois jovens adultos lindos, queridos, inteligentes, saudáveis, capazes de sorrir e de chorar, de projetar, de construir… e me fazem lembrar um brevíssimo

Poema de Cecília Meirelles:

Começar

Não me lembro mais qual foi nosso começo.
Sei que não começamos pelo começo.
Já era amor antes de ser.

Então eu me pergunto: teria sido obra do acaso aquele momento inesperado e mágico, no qual passado, presente e futuro se encontraram, permitindo que surgisse o primeiro olhar?

Não sabemos. A Vida é algo cheio de mistérios.

Mas nós sabemos que a escolha de vocês e o que dela há de surgir, isso não é obra do acaso, mas fruto de antigas sementes e de futuras realizações. Aqui estamos nós, para abençoá-los. Todos nós, especialmente seus pais, incluindo aqueles que já habitam outras dimensões, neste universo sem fim…

Que vocês tenham olhos que vêm, ouvidos que escutam, mentes que se abrem para o novo e, especialmente, corações que possam experimentar, para sempre, tudo o que está implícito nesta palavra singela e rica: simplesmente, “amor”.

Com amor, Iara.