SETEMBRO DE 2010

DISCUTINDO O “AURÉLIO”!

SAÚDE?…

SAÚDE é muito mais do que ausência de fragilidades, disfuncionalidades ou doenças. É aquele estado físico, psíquico e relacional, no qual o indivíduo é são, tem força e vigor, disposição física e moral para viver a vida. Estamos todos de pleno acordo?

SEXUAL?…

SEXUAL, por sua vez, vai além da configuração física, que distingue macho e fêmea, permitindo-lhes gerar novos seres da sua espécie. É mais do que desejo, volúpia, cópula. Pode ou não incluir o amor, mas necessariamente se coaduna com a energia agressiva.

Será que sempre, e necessariamente, o que classificamos como “sexual” corresponde ao que entendemos como “sensual”? Será que sempre, e necessariamente, “sexual” corresponde a uma “inclinação vital”, agradável, plena, e harmoniosa, capaz de produzir mútuas alegrias e satisfações? Ou corresponderia a um “turbilhão de prazeres”, capaz de reunir às pessoas e que as diverte e distrai?

SEXUAL é um termo muito amplo e complexo que pode ser usado de maneira confusa, de tal modo que, ao falarmos sobre este tema, talvez não estejamos nem partindo e nem focando um mesmo conceito. Pode abranger todos os significados acima, e outros tantos. Pode designar forças ocultas, ligadas ao amor ou ao ódio, ao prazer ou à dor, à vida ou à morte – e incluir, simultaneamente, doses variáveis destes mesmos ingredientes contraditórios.

SAÚDE SEXUAL

Proponho que pensemos, neste momento, a SAÚDE SEXUAL, como um fenômeno a serviço da vida, estimulante, prazerosa, fecunda, capaz de reunir às pessoas num laço amoroso que faça toda a diferença para cada um dos parceiros.

De que diferença estou falando?

Estou falando de paz e aconchego, como resultado do encontro. De confirmação e de aumento da auto-estima de ambos. De poder seguir “olhando no olho”, sem constrangimentos, ressentimentos e vontade de fugir. De respeito mútuo, o que implica em não constranger o outro ou a si mesmo a práticas ou a circunstâncias que possam parecer indesejáveis. De levar em conta suas próprias crenças, seus valores e os do parceiro, cuidando para não se deixar guiar por preconceitos de qualquer natureza.

Um dos aspectos relevantes de uma vida sexual saudável está na sublimação, na transformação, no bom uso da energia agressiva, a serviço de Eros.

PARA TODOS?…

Sim, é necessário que busquemos a saúde sexual “para todos”, sem exceção e sem uma falsa-moral, que conduz à discriminação de grupos e de condutas que, na verdade, não prejudicam ninguém, a não ser pelo simples e terrível fato de se tornarem alvos de críticas infundadas.

Quando se fala em “saúde sexual para todos” e em “liberdade sexual”, corre-se o risco de negar, minimizar ou até mesmo superestimar práticas que, na verdade, estão a serviço de patologias individuais, familiares e sociais. Este é um assunto muito sério, que merece ser levado em conta, ao invés de sairmos empunhando bandeiras ligadas a causas que, sequer, conhecemos ou compreendemos. Um exemplo disso está na atual banalização do sexo, na promiscuidade sexual, na desconsideração em relação ao parceiro, no uso ofensivo, de caráter sádico, que resulta em sofrimentos físicos e psíquicos. Dentre os valores que norteiam uma sociedade realmente humana, os valores sexuais e amorosos merecem destaque.

PAIS & FILHOS

Fala-se em “educação sexual” como se esta fosse parte de um processo formal, com meras informações estruturais, morfológicas e funcionais. Eu diria, até: mecânicas. “Informar” é apenas um detalhe de algo, novamente, muito complexo.

A educação sexual depende de todo um processo de identificações inconscientes, as mais importantes das quais são feitas com os pais e cuidadores que nos ensinam, em primeiro lugar e na mais tenra idade, em que consiste “ser gente” e, em seguida, “ser homem ou mulher”. Amar e ser amado, fazer a sua parte para merecer a realização dos prazeres almejados, administrar bem a energia agressiva (que, por si só, “não é boa e nem má – depende do que se faz com ela”), ser criativo, sentir-se no direito de ser feliz são elementos que acabam por fazer parte da estrutura do ser, contribuindo poderosamente para a saúde sexual.

Neste sentido, os pais que pretender dar o melhor de si para os filhos, certamente lançam um olhar atento e cuidadoso para si mesmos, enquanto indivíduos e enquanto casal, pois é neste modelo que cada um de nós se inspira, ao construir a própria identidade. Novas configurações amorosas fazem parte do cenário atual e, com certeza, também podem contribuir favoravelmente por um mundo melhor.

Relembro muitas vezes as instruções que antecedem qualquer viagem aérea: “Em caso de despressurização, coloque primeiro a máscara em você”. Esta é uma condição indispensável a que se possa fazer algo de útil a alguém que, eventualmente, possa estar necessitando de nossas atenções e cuidados!

CULTURA – SEUS PROCESSOS

E SEUS MÚLTIPLOS TRANSMISSORES

Uma forte energia circula entre todos os elementos vivos, procurando auto-preservação e desenvolvimento de cada espécie. Não é diferente disso a questão da sexualidade humana. Esta sofre influência de elementos primários, que provavelmente acompanham o gênero humano desde sempre. Mas a convivência entre os seres deu origem a uma organização sócio-cultural, que tem sofrido variações ao longo dos tempos. Há diferenças também de ordem geográfica, que têm a ver com história, política, religião, condições econômicas, etc. Jogos de poder sempre estão presentes, em qualquer tipo de organização humana. E tudo isto influencia em crenças, valores e comportamentos, criando algumas variáveis cada vez mais dinâmicas.

As famílias são frutos da cultura, mas a cultura também é fruto das famílias. Existe um reforço circular constante, gerando uma contínua troca de influências. Em muitos aspectos, conflitos tornam-se inevitáveis, em parte buscando a manutenção da homeostase e em parte aspirando mudanças. A vida sexual humana tende a estar no foco das atenções, e a saúde sexual sofre estímulos de natureza diversa. A síntese que se faz é decisiva na obtenção de resultados favoráveis.

Por favor, se usar este material, não retire os créditos. Se desejar contribuir com seus comentários, estes serão muito bem-vindos.

Cordialmente, Iara.