Simplesmente, Amor!

Iara L. Camaratta Anton

 

E surge, então, talvez inesperadamente, um alguém que inspira em nós esse sentimento, cantado pelos poetas de todos os tempos. E, tão intensamente ele nos inunda, que passamos a misturar abstrato e concreto, emoção e pessoa. Nosso eleito, muitas e muitas vezes, tem seu nome próprio, de batismo e registro oficial, substituído por outro, que somente nós nos sentimos no direito de usar. Nosso amado passa, então, a ser chamado, simplesmente, de “Amor”…

Amor pra cá, amor pra lá… O tempo passa e, com o passar do tempo, é tanto e tão repetitivo o uso, que a expressão perde significado e função, estando, simplesmente, a serviço de um vocativo qualquer:

- Amor, você não me ouviu?

- Por que você age desta forma, Amor?

- Amor, estou com ódio de você.

- Não se amofine, foi apenas um esquecimento, Amor…

- Amor, definitivamente, você me entedia…

A rotina, a relação de posse e poder, a absorção por tantos outros objetivos, atividades e sentimentos, podem ter efeito corrosivo, a tal ponto que todas as antigas juras de amor esmorecem.

Sim, Amor, com “A” maiúsculo, é algo que a gente não apenas descobre: a gente constrói.

É distância suficiente para que se possa olhar e reconhecer que estamos diante de um “outro”, e não de mera extensão de nós mesmos. É proximidade suficiente, para que este outro se torna audível, palpável, palatável. É ausência e desejo. É presença e encanto. Mas é, também, cumplicidade, compromisso e investimento contínuo. É conquista, reconquista, sedução e… trabalho. É lealdade e confiança, não por ingenuidade, mas pela percepção de que há coincidência entre crenças, valores e sentimentos; há mutualidade.

Uma aliança amorosa, decididamente, não é obra do acaso. É algo que se constrói e que, assim, sendo, pode durar para sempre. Simplesmente, por amor…