Iara L. Camaratta Anton – Psicóloga – CRP 07/0370

Psicoterapeuta Individual, de Casais e de Famílias

REFLEXÕES PRELIMINARES

Nós, psicólogos da área da família, temos sido cada vez mais solicitados pelos casais em processo de separação, como também por advogados e mediadores, acerca das necessidades emocionais básicas dos filhos pequenos, nestas circunstâncias.

Infelizmente, são muito comuns os litígios e ressentimentos, sendo as crianças usadas como armas de uns contra outros. As famílias dos cônjuges facilmente entram no jogo e, ao que tudo indica, as pessoas em conflito não se dão conta de suas más-intenções (agredir, garantir o poder, levar vantagens…), encontrando “pseudo-nobres-justificativas” para seus atos. Em outras palavras, racionalizando…

Conheço de perto o sofrimento de muitos profissionais da lei, que se sentem impotentes diante dos fatos: casais que não querem se entender, acusando-se mutuamente e levando aos tribunais detalhes sórdidos de seus tumultuados relacionamentos, com o único objetivo de triunfar sobre o ex-parceiro. Ditar uma sentença, por mais sensata e justa que seja, não garante que a lei seja cumprida. Ou melhor: o cumprimento da lei, na prática, não significa que, na intimidade do dia a dia, esta não seja transgredida, através de múltiplas mensagens, abertas ou sutis, que estimulam nos filhos não apenas pensamentos negativos e ressentimentos sem-fim mas, além disso, terríveis e intermináveis conflitos de lealdade!

A indicação de terapia pode também ser atendida sem que haja, contudo, a sinceridade de uma adesão este processo, que visa revisar conceitos, trabalhar na linha dos significados e da solução de conflitos. Trabalhar a aliança e as motivações terapêuticas é essencial mas, assim como advogados e juízes sentem-se frustrados diante da falta de adesão a soluções efetivamente justas, a própria terapia poder ser uma “falsa terapia”, se não se chegar a “boas intenções”.

Pior ainda é constatar que muitos advogados trabalham na linha do litígio, instigando-o, prolongando-o indefinidamente, em favor de seus interesses pessoais. Infelizmente, este é um fato que se constata, e as atitudes anti-éticas por parte destes profissionais só se torna possível porque encontra eco nas motivações e atitudes anti-éticas dos pares em litígio, quando estes não se interessam nem mesmo pelo bem-estar e pela saúde mental de seus filhos.

Listamos, a pedido de profissionais da área, alguns aspectos a serem levados em conta, quando o casal em processo de separação, deseja investir saudavelmente na preservação e no desenvolvimento de seus filhos. Centram-nos em crianças pequenas, na expectativa de que estes tópicos possam alimentar boas reflexões.

NECESSIDADES E DIREITOS DOS FILHOS PEQUENOS

PERANTE A SEPARAÇÃO DE SEUS PAIS

  1. Em quaisquer circunstâncias, o direito do filho menor de idade deve ser priorizado. Neste item são incluídos segurança física e emocional, abrigo e alimentação, bem-estar, respeito, etc.
  2. Dentro do possível, este filho tem pleno direito a receber carinhos e cuidados de ambos os pais, que são os primeiros responsáveis por seu desenvolvimento físico e psíquico.
  3. Tal direito pode ser considerado como parte de um tripé de sustentação, tendo em vista a saúde psíquica do filho e de ambos os pais:

3.1 O direito do filho;

3.2 O direito dos pais;

3.3 Os deveres dos pais, dentre os quais merece destaque o respeito mútuo

  1. O respeito dos pais, um em relação ao outro, é de vital importância. Uma das maiores razões de sofrimento e um dos maiores riscos de traumatismo emocional está em testemunhar conflitos parentais, caracterizados por qualquer tipo de violência, e ser manipulado por um ou ambos os parceiros, que tentam usar a criança como joguete, gerando conflitos de lealdade.
  2. A rede de apoio que ambos os pais recebem de suas famílias e de seus amigos deve ser considerada.
  3. Em inúmeras circunstâncias, na presença de mágoas, ressentimentos e tendências vingativas, torna-se fundamental o acompanhamento psicológico dos (ex)parceiros, em caráter individual ou em parceria, e/ou em caráter familiar. Estas três alternativas não são excludentes.
  4. Quando os pais passam a residir em bairros ou cidades diferentes, deve ser priorizado o convívio com aquele que, na prática, costuma dedicar-se com mais intensidade e competência aos cuidados do filho.
  5. Em se tratando de crianças pequenas, é fundamental que o afastamento do principal apego seja limitado, vindo a aumentar gradativamente, ao longo do tempo, para que não se desenvolvam ansiedades de separação, transtornos de ansiedade e outros quadros que resultam de sofrimentos psíquicos intoleráveis.
  6. A separação dos pais, por si só, gera algum grau de sofrimento para os filhos. Seria injusto, por birra ou qualquer outra razão, criar dificuldades maiores do que o inevitável. O conforto e a segurança do bebê e de sua mãe precisam ser preservados, mas é necessário que se dê especial atenção para que este item não seja mal empregado, a serviço de retaliações e/ou de jogos de poder.

10. Dentro do possível, cabe a busca de uma separação harmônica, sem qualquer sombra de litígio, oportunizando-se aos pais que manifestem claramente o que julgam ser melhor para seu filho e que avaliem as reais possibilidades. Neste aspecto, quanto mais os advogados contratados puderem acolher as ansiedades dos parceiros, apoiando-os na busca de entendimento e consensos, melhor.

COM A PALAVRA, O LEITOR

Se assim o desejar, escreva sua opinião, seus questionamentos… Envie sua mensagem para iaracamaratta@gmail.com, intitulando-a “separações conjugais.”