Iara Camaratta concedeu entrevista para matéria especial no IG. Confira a matéria completa abaixo ou no link aqui.

Eu amo a minha sogra. De verdade!
Muitos gostariam de não ter que conviver com ela e chegam a evitá-la, mas é possível ter uma boa relação com a sogra
Danielle Nordi, iG São Paulo | 15/04/2011 09:10
É possível driblar o estigma de que toda sogra é uma cobra e ter uma boa convivência com a mãe do ser amado? Sim, apesar de ser uma relação que tende a ser conturbada. Especialistas afirmam que conflito acontece tanto com a nora quanto com o genro, mas admitem que a relação entre a esposa e a mãe do homem pode ser um pouco mais problemática.
“Minha observação através da prática clínica é que as mulheres tendem a selecionar mais o que contar sobre o marido para a família. Ela tem mais receio em expor defeitos do parceiro. E o marido parece tolerar melhor as pequenas intromissões da sogra no relacionamento. Já a nora não demonstra muita capacidade de ‘deixar passar’ coisas que considera erradas para não criar conflitos ”, afirma a psicoterapeuta Rosângela Casseano.

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De acordo com a psicoterapeuta e autora de diversos livros sobre vida conjugal, Iara L. Camaratta Anton, a relação problemática envolve emoções complexas. “Penso que inveja, ciúme e jogos de poder são os grandes motores das dificuldades enfrentadas no relacionamento entre nora ou genro e sogra.”

Conhecer antes de julgar
Contrariando as mulheres que, quando casam, decidem ficar perto dos pais, a bancária Renata Totti Ferreira Pinheiro, 30, encarou ir morar próxima a casa da sogra. “Ivone me ajuda em tudo que preciso. Não imaginei que ela seria tão prestativa. Até me surpreendi. Ela é uma grande companheira.”

O que pode ser visto com terror por algumas mulheres, Renata encara numa boa e afirma que adora. Ela passa horas na companhia da sogra. “A gente sai para fazer compras, vamos ao cinema, almoçamos juntas. Tudo sem a presença do meu marido”, diverte-se a bancária.
Outra que vê na sogra a figura de uma verdadeira amiga é a bióloga Juliana de Lira Collantonio, 24. “A gente tem muito carinho uma pela outra. Maria Luisa, minha sogra, é tão preocupada comigo que já chegou a pagar meu plano de saúde durante um tempo em que eu não tinha condições financeiras para isso. Muitas vezes eu até esqueço que ela é mãe do meu namorado.”

Um dos problemas, segundo Iara é que já há um preconceito enraizado em nossa sociedade com relação às sogras. “Às vezes, a relação com a sogra tem tudo para ser boa, mas acaba sofrendo influências externas. Com isso, vai demorar um tempo para que o relacionamento possa se tornar mais natural, espontâneo e gratificante para todos.”
Juliana quis conhecer Maria Luisa primeiro para depois formar sua opinião sobre a sogra
Juliana concorda com a observação. “Todo mundo já acha que é impossível se dar bem com a sogra. Eu dei um tempo para poder conhecê-la e depois julgar. Acabei vendo que ela é realmente uma ótima pessoa”, completa.

Odette, a sogra francesa
“Desde a primeira vez que a vi, já nos gostamos. Confesso que tive medo no início. Medo de rejeição, de xenofobia, de preconceito, porque sou bem mais nova que meu marido, mas nada disso aconteceu. Ela sempre me tratou como uma filha”, conta Samara Regina Martins da Costa, professora de língua portuguesa, 26, que mora em Cavaillon, na França, com o marido, Stephane, e a filha de nove meses, Julie. Samara diz que Odette é sua “mãe francesa”. “Eu sinto um amor muito grande pela minha sogra”, completa.

A família da professora ficou toda no Brasil. No exterior ela conta com o apoio dos parentes do marido. Mas não tem do que reclamar. “A sogra francesa é bem protetora de ‘seus filhotes’, mas Odette nunca interferiu na nossa vida. Às vezes, quando ela percebe um problema, pergunta se pode ajudar. Mas considero isso como amor de mãe, e não uma intromissão.”

Mesmo sendo agradecida à sogra de Samara pela ótima acolhida, a mãe, que ficou no Brasil, tem lá seus momentos de fraqueza. “Acho que minha mãe tem um pouco de ciúme porque minha sogra é muito presente na vida da neta. Minha família ainda não conhece a Julie. Considero isso normal já que é a primeira neta dos meus pais. Eles não podem participar tanto quando gostariam”, revela Samara.

Geração mais independente
Queixas comuns são de que a sogra se intromete demais na relação do casal, na administração da casa do filho ou da filha, na educação dos netos e assim por diante. Rosângela comenta ainda que quando há qualquer tipo de dependência do casal com uma das sogras, a situação piora. “Se ela empresta dinheiro ou cuida dos netos, se sente no direito de interferir. Mas é possível uma boa convivência com a sogra, se ela entender que não deve se sentir no direito de dar palpite a toda hora na vida do casal. Apenas quando requisitada a sogra pode se intrometer em um assunto pessoal, como qualquer outro ser humano. E o casal deve procurar ser menos dependente”, aponta Rosângela.
Apesar dos problemas, existe luz no fim do túnel. “A geração atual de sogras é mais independente. São mulheres que começaram a trabalhar e a ter opções de atividades para ocupar o tempo. Antigamente a mãe vivia exclusivamente para os filhos e era muito mais comum que ela fosse superprotetora”, esclarece Rosângela.