1. PARA AMAR E SER AMADO

Primeiro artigo para a coluna  ’PARA AMAR E SER AMADO”

do site TEMPO DE MULHER / MSN

Iara L. Camaratta Anton*

 

Amar e ser amado: anseio dos que podem se entregar a este “luxo” ou, simplesmente, necessidade vital?

Eu ousaria apostar na necessidade vital, ainda que tantas pessoas, do primeiro ao último momento, pouco ou nada experimentaram deste  tão forte e delicioso sentimento. É ele que nos humaniza. É a sua ausência que nos torna rudes, hostis, simultaneamente frágeis e perigosos.

Quando nasce um bebê, estamos diante de um enorme ponto de interrogação. Aí está ele, com sua bagagem genética a sugerir tendências e limites, e com uma identidade registrada e reconhecida (ou não) pela família e em cartório. Não sabemos o que lhe reserva o futuro, “quem” ele virá a ser e como haverá de viver a sua vida, pois, para  constituir-se e desenvolver-se “como pessoa”, ele depende dos estímulos e das oportunidades que receber. De como é, ou deixa de ser, amado. Em casos desfavoráveis, desumaniza-se, ou nem chega a se humanizar.

Somos quem somos devido a uma série de oportunidades que, desde o berço, a vida nos oferece. Passo a passo, aprendemos a nos defender da dor, a suportá-la, quando necessário, a buscar o prazer, a trilhar caminhos que nos dão a certeza de que viver é muito bom. Nada disso, porém, é linear, nada disso é fácil. Só que, além de reconhecermos a complexidade da vida, alguns de nós temos o dom de complicar as coisas mais simples, de buscar a felicidade onde ela não está e de projetar as frustrações em possíveis culpados, ao invés de assumirmos a responsabilidade sobre nossas escolhas.

Amar e ser amado, penso que seria o natural, como uma boa semente, que germina e se desenvolve em solo fértil e em clima favorável. O que é próprio da natureza viva, porém, necessita que sejam cumpridas algumas pré-condições para atingir o mais pleno esplendor. Muito do que somos e vivemos está diretamente vinculado a heranças que vêm sendo repassadas de geração a geração. Nem por isso é válido no colocarmos no papel de devedores, vítimas ou vingadores. Afinal, o modo como administramos nossas possibilidades faz toda a diferença e, se é verdade que, sendo amados, aprendemos a amar, também é verdade que, amando, teremos como retorno o fato de sermos verdadeiramente amados.

Este, enfim, é o tema central desta coluna: “Para amar e ser amado”, cujo próximo encontro será sobre “E por falar em bebês”, tendo como objetivo repensarmos nossa história pessoal e como ela pode influenciar em nossas histórias de amor e em nossa sexualidade. 

* Psicóloga. Psicoterapeuta individual e de casais. Escritora. Autora dos livros “A Escolha do Cônjuge – um entendimento sistêmico e Psicodinâmico” (ARTMED/Grupo A); “Homem e Mulher – seus vínculos secretos” (ARTMED/Grupo A); Cegonha à Vista! E agora, o que vai ser de mim?…” (EST); “O casal diante do espelho. Psicoterapia de Casal – teoria e técnica” (Casa do Psicólogo).

 

SUGESTÕES PARA A GALERIA:

Veja como ficou linda a galeria preparada por ANA KESSLER.

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  1. Para você, amar e ser amado representa um luxo ou é uma necessidade vital?
  2. Só o amor nos humaniza! Um bebê, ao nascer, representa infinitas possibilidades. Depende de seu meio a “pessoa” que ele haverá de ser e como aprenderá a “amar e ser amado”.
  3. O meio abre espaço, acolhe, alimenta, denomina, qualifica… É em contato com o outro que descobrimos a nós mesmos e ao mundo. Nossos entendimentos, sejam quais forem, sempre levam a marca da subjetividade e de velhas indentificações…
  4. Evitar e dor e encontrar o prazer não, necessariamente, são movimentos harmônicos. Muitas vezes, a busca do prazer imediato, inconsequente, pelo caminho mais curto, resulta em dores sem fim. Que dores você considera suportáveis e, até, necessárias? Que recursos desenvolveu para evitá-las, minimizá-las ou superá-las? Você pode admitir que tudo na vida tem seu preço e suas consequências – inclusive a experiência de amar e ser amado?
  5. Sabedoria embutida numa frase algo irônica: “Por que simplificar, se dá para complicar?…”
  6. A melhor definição de “projeção” que já vi (de Frederic Pearls): “Projeção é quando julgamos estar diante de uma vidraça e estamos, na verdade, diante de um espelho.” E é por aí que geralmente circula a ânsia em se encontrar culpados e o fracasso em se buscar as melhores soluções…
  7. Outra fase genial (adaptada, pois não lembro a original): “Procure transformar-se na pessoa que você tem buscado para você, porém fora de você!”
  8. “Para amar e ser amado” é assunto que vai dar “pano pra manga”. Em nosso próximo encontro, vamos nos repensar enquanto éramos pequenos “projetos de gente” e em como nos transformamos nas pessoas que nós somos. Esta pode ser uma viagem fascinante. Benvindos a bordo!

 

Cordialmente, Iara Camaratta Anton

www.iaracamaratta.com.br