3. “MÃES – E PAIS – SUFICENTEMENTE BONS”

O ABC da Escola do Amor

Artigo publicado na coluna PARA AMAR E SER AMADO

so site TEMPO DE MULHER / MSN

 

A expressão “mães suficientemente boas” foi cunhada por Winniccott, famoso psicanalista inglês que escrevia de forma clara, perfeitamente acessível, a respeito de conceitos psicanalíticos muito complexos. Era um verdadeiro sábio. Desde seus tempos de pediatria, atento aos seus pequenos pacientes e à dinâmica familiar, tinha em foco especialmente o relacionamento materno-filial. Mas hoje bem sabemos que o pai é figura ímpar no desenvolvimento de nossas personalidades, seja ele presente ou ausente, atuante ou passivo, real ou imaginário… Seja como for, ele deixa suas marcas, passando a constituir o mundo psíquico de qualquer um de nós.

A utopia da perfeição ainda nos persegue, mas, felizmente, pessoas sérias e competentes, como Winniccott, declaram que o que se espera e nos favorece é termos tido e podermos ser “pais e mãos suficientemente bons”. Só isto!

Mas acontece que isto não é pouco. Para tanto, temos que estar presentes. Presentes para acolher, nutrir, proteger, encorajar, recompensar. Presentes para dizer sim, para dizer não, e para determinar tempos de espera e condições necessárias para a obtenção de ganhos.

É muito mais fácil omitir-se, ignorar o todo ou as partes, não estabelecer limites, proporcionar uma enxurrada de prazeres descabidos. E, se a opção for esta, como é que uma criança vai aprender a “ser gente”? Como é que ela vai assimilar regras de convivência, “ingressando na civilização”? Como é que vai aprender que “o amor tem seu preço”, em qualquer estágio da vida?

Há muitas fantasias a respeito da constituição dos vínculos do amor. Elas estão enraizadas nos primórdios da vida humana. A primeira delas, provavelmente, diz respeito à gratuidade do amor materno. Mãe – ou pai – que dá sem nada esperar em troca está colaborando para a criação de monstrinhos, egoístas e tiranos, ou de pessoas fracas, submissas, incapazes de fazer valerem seus direitos. A questão básica está em sermos razoáveis, tão justos e equilibrados quanto possível, lembrando sempre que “para amar e ser amado…” é necessário “aprender a amar”, levando o “outro” em consideração; é necessário aprender a “se” amar, levando a “si mesmo” em consideração. Não é do nada quer surgiu a máxima que resume os dez mandamentos: “amar o outro como a si mesmo”. E isso nós aprendemos a partir da convivência com “pais suficientemente bons”. São eles que introduzem em nossa história as primeiras letras, ou seja,  “o ABC da Escola do Amor”.

Em nosso próximo encontro, vamos conversar sobre “O encantamento” como um dos ingredientes mágicos de nossas histórias de amor.

 Galeria:

Veja no site PALAVRA DE MULHER / MSN que linda ficou a galeria preparada pela jornalista ANA KESSLER

com as frases abaixo. Se você gostou, curta e compartilhe!

  1. Não se preocupe com a perfeição. Ela sequer existe, a não ser em nosso imaginário. Se algo fosse absolutamente perfeito, já não mais haveria espaço para qualquer outra criação, para qualquer outro desenvolvimento.
  2. 2.  Sim, sim: você pensou, por acaso, em algum contraponto? Algumas obras de arte, por exemplo, são consideradas “perfeitas”, mas até mesmo isto é discutível. Em se tratando de seres vivos, então, nem se fala! A perfeição coincidiria com a mais total imobilidade, nada mais ou melhor poderia ser feito. A perfeição representaria o fim.
  3. 3.  Nenhum de nós precisa de pais e educadores perfeitos. O mesmo vale para nossos filhos. O que a gente precisa, parodiando Winnicott, é de “pais suficientemente bons”. Só isto!
  4. 4.  “Pais suficientemente bons” são feitos de carne e osso, têm suas crenças e valores, seus pontos fortes e seus pontos fracos, convicções e incertezas, sucessos e insucessos… Você já imaginou que terrível seria se, por azar, tivéssemos sido educados por pais-perfeitos?
  5. Ame seus filhos como eles são, e como você ama a si mesmo e aos seus demais amores. Dê atenção, carinho e todos os cuidados dos quais eles necessitam. Dê seu olhar, sua escuta, sua palavra, seu colo, sua mão. Dê seu tempo. E, para não despencar ribanceira abaixo, dê limites, faça exigências, procure ser justo com ele, consigo mesmo e com as demais pessoas. Bem, como estamos vendo, sermos “pais suficientemente bons” talvez represente um desafio ainda maior do que vestirmos a fantasia de super-heróis, ou de pais-perfeitos…
  6. Pense em seus próprios pais, em sua história. Reveja os pontos que mais lhe despertam confiança, prazer, gratidão; e aqueles que você gostaria que fossem muito diferentes do que foram. Tente superar a si mesmo e compreenda que o que você recebeu certamente era o que de melhor eles poderiam lhe ter oferecido. Agora, sua vida depende de suas escolhas, de suas atitudes pessoais.
  7. Não se preocupe em superar a eles e às demais pessoas. O foco é você. Tente se observar com atenção e carinho, numa atitude compreensiva, benevolente. É a partir disso que poderá obter a melhor das vitórias: a vitória sobre si mesmo.
  8. 8.  Zimerman cita Mailan: “As pessoas, em sua maioria, ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas, quando, na verdade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”.

* Psicóloga. Psicoterapeuta individual e de casais. Escritora. Autora dos livros “A Escolha do Cônjuge – um entendimento sistêmico e Psicodinâmico” (ARTMED/Grupo A); “Homem e Mulher – seus vínculos secretos” (ARTMED/Grupo A); Cegonha à Vista! E agora, o que vai ser de mim?…” (EST); “O casal diante do espelho. Psicoterapia de Casal – teoria e técnica” (Casa do Psicólogo).