NAMORO NO TRABALHO

ENCONTRO COM FÁTIMA BERNARDES NA TV GLOBO

RJ, 07 de dezembro de 2012

A ESCOLHA, O ENVOLVIMENTO…

Esse tema, proposto pela Produção do Encontro com Fátima Bernardes, é muito atual e relevante, pois envolve oportunidades e desafios típicos da era atual, quando homens e mulheres estão cada vez mais envolvidos com sua carreira profissional e é neste ambiente, muitas vezes, que eles têm a oportunidade de se conhecerem e de se amarem. Nem sempre estas possibilidades são vistas com bons olhos, quer pela Direção, quer pelos Colegas, e uma série de razões justificam tais senões. Media preventiva, em relação a uma infinidade de senões? Injustiça? E quando um dos enamorados vê-se obrigado a deixar o seu trabalho?

Mas quem disse que, em matéria de amor, temos escolhas?

Ops! Eu disse… Está na capa de meus livros “A Escolha do Cônjuge – motivações inconscientes” (tese publicada pela Editora Sagra, há muitos anos) e “A Escolha do Cônjuge – um entendimento Sistêmico e Psicodinâmico” (Editada pela ARTMED, com nova edição recentemente publicada).

Estes títulos, “A Escolha do Cônjuge, talvez se prestem a confusões, por parte daqueles que os interpretarem ao pé da letra. Escolhas amorosas são de um departamento que transcende ao mundo concreto, alçando outras esferas, a um universo que pressupõe o abstrato, o simbólico.

No Encontro com Fátima, os casais de artistas convidados, falaram sobre o encantamento de um pelo outro, que deu origem ao sentimento que eles denominam amor. Se você quiser apreciá-los, acesse o site da Globo, onde se encontra o programa na íntegra. Fiquei emocionada ao vê-los tão de perto, ao escutá-los, ao apreciar cenas da novela “Morde e Assopra” e as músicas que foram cantadas ao longo do programa. Gostei imensamente de estar com Fátima Bernardes e com seu imenso time de colaboradores, podendo ver que a pessoa que somos reflete-se de forma direta e inconteste em nossas famílias e em nosso ambiente de trabalho. Ou seja: Fátima e William são quem parecem ser: brilhantes, cordiais, comunicativos, com uma afetividade que se revela em cada gesto. Gostei da experiência, apesar da já sabida brevidade de participação do programa no ar. E cá estou eu para compartilhar com meus amigos e leitores as reflexões a respeito do tema proposto, seguindo “mais ou menos” o que havia sido delineado pela equipe de produção.

Acontece que “a escolha do cônjuge” não tem nada a ver com a escolha de um par de sapatos ou de um roteiro de viagem – ou tem apenas uma pálida aproximação, já que tudo o que fazemos relaciona-se com algo que faz parte de nosso mundo inconsciente. O que nos leva a sentir atraídos por outra pessoa, ou experimentarmos indiferença, ou repulsa, não dispõe de palavras muito abrangentes e precisas para descrever. “Algo” praticamente inominável faz com que se acenda a chama e aconteça aquela espécie de química, que faz toda a diferença em nossas vidas. Não há como escolhermos um lugar, um momento. Acontece, e pronto! Então, como evitar que o cenário seja exatamente aquele em que ambos trabalham juntos?

SINALIZADORES

No ambiente de trabalho ou fora dele, estamos sempre nos sondando, ou seja, verificando os inúmeros sinalizadores das reações que provocamos, uns nos outros. Modos de olhar e de agir, interesse em estar por perto, em dar atenção e em colaborar estão entre as atitudes que sugerem ou, até, que revelam a atração de um pelo outro.

A linguagem não-verbal fala muito alto, e é através dela que comunicamos nossos mais variados sentimentos. Aqui se encontram as expressões faciais, as posturas, os gestos, o próprio modo de respirar… Vale o mesmo para a linguagem para-verbal, ou seja, aquela que acompanha a palavra, mas vai além dela, como o tom de voz, o ritmo da fala, etc.
As escolhas amorosas e sexuais são muito mais influenciadas por estes sinalizadores do que por aqueles que, conscientemente, somos capazes de detectar e descrever.

Quero insistir em que escolher um cônjuge, um amor, um amigo não tem semelhança alguma com as escolhas de um objeto qualquer, como um sapato, um automóvel, e também não equivalem a algo como escolher um roteiro de viagem, um cardápio ou, mesmo, um restaurante. É algo muito mais sutil e de uma importância ímpar. Se é verdade que, em parte, o acaso nos aproxima, também é verdade que nossas respostas a este suposto acaso são capazes de influenciar em toda a nossa vida futura – e são frutos de toda a nossa vida passada.

 

E QUANDO ESSE NAMORO DESPONTA NO AMBIENTE DE TRABALHO?…

Uma das questões levantadas pelas empresas é o clima agitado que se cria quando as possibilidades de envolvimento parecem ilimitadas, roubando o foco. O excesso de investimento em ser atraente, seduzir, etc., pode tornar-se bem maior do que o investimento na execução ou na qualidade do trabalho e, enfim, daquilo que mais interessa às empresas, que está na produtividade, na qualidade e no lucro.

A permissividade por vezes gera um clima de “galinhagem” (e esta palavra está no Aurélio…), sem gerar laços fortes, mas dando origem a múltiplas confusões. Mas o fato é que o próprio uso do celular e da internet tem sido maléfico para o mundo do trabalho, gerando dispersões ainda maiores do que o clima agitado de locais onde a “caçada” é livre. Mas este é um outro assunto! O que nos interessa, aqui, é o flerte, que revela e alimenta envolvimentos, e os envolvimentos, que se transformam ou não em namoro, em amor.

Os namoros, por si só, podem ser bem tranquilos, especialmente quando o lado profissional de ambos é valorizado, é motivo de admiração e de respeito mútuos, e tem a ver com suas ambições (carreira, estabilidade, prestígio, ganhos financeiros, possibilidades de casamento e de constituição de família, por exemplo). Estabelecendo-se uma relação sólida e de confiança, os resultados podem repercutir favoravelmente no ambiente profissional. Problemas surgem quando o casal tem um namoro tumultuado, com crises de ciúme, excesso de controle mútuo, competitividade e inveja, ou quando a paixão é tamanha que não permite atenção a mais nada e a mais ninguém…

Alguns casais, como os artistas que participaram do Encontro com Fátima Bernardes, costumam ser muito discretos, na etapa da sondagem, para se protegerem da curiosidade, das intromissões e de um possível rompimento. Mas o encantamento mútuo, o desejo de estarem próximos, a cumplicidade que paira no ar, logo, logo, sinalizam a todos que algo diferente, meio mágico, está acontecendo.

Penso que comunicar aos chefes e aos colegas não é obrigação, exceto quando o contrato profissional apresenta cláusulas formais neste sentido. O enamoramento é um fenômeno que pertence à esfera íntima, que pode ou não ser oficialmente comunicado. Pode ou não. Ou seja: o casal não tem que dar satisfação alguma sobre o namoro. Se este não estiver interferindo negativamente no trabalho, podemos considerá-lo como algo que pode ser silenciado, até que ambos decidam pelo contrário.

Mas por que e para que ocultar? Por que ou para que comunicar? Como comportar-se? Como levar a vida a partir de agora?..

COMPORTAMENTO E ÉTICA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Necessariamente, deve imperar um comportamento profissional, com foco no trabalho, colaboração mútua, atenção e gentileza em relação às chefias, colegas e subalternos. As questões amorosas e sexuais, no ambiente de trabalho, devem ficar num segundo plano – trata-se de uma questão de ética profissional. Mas a verdade é que as pessoas apaixonadas, estejam elas felizes ou vivendo o maior tormento – facilmente permitem que sua vida amorosa e sexual invada outros territórios – mesmo quando o namoro não ocorre dentro da mesma empresa.

Há regras de etiqueta também na esfera das relações entre a vida pessoal e a profissional. Discrição, cortesia e dedicação ao trabalho não só expressam uma atitude elegante, como também uma atitude que merece ser considerada ética.

Importante evitar excessivas manifestações de afeto, que possam sugerir exibição de intimidade (se for realmente íntimo, não cabe ser exibido, ostentado…); é preciso cuidar para que não sejam criadas situações nas quais os demais sintam-se… demais, ou seja, desvalorizados e excluídos; é indispensável que o ambiente não seja contaminado pelos problemas, pelos confitos entre os dois, e nem mesmo pelos seus arroubos de paixão.

Quando passado algum tempo, os dois chegam a desenvolver uma relação forte, estável e gratificante, a repercussão desse elo tende a repercutir favoravelmente no trabalho. Este pode se constituir num dos pontos de afinidade, num dos focos de interesse, unindo-os ainda mais, de modo a se refletir na produtividade e no ambiente.

Em alguns casos, a relação passa a ser prioritária, e ambos ficam dedicando muita atenção um ao outro, em detrimento dos interesses da empresa. Da mesma forma, questões que envolvem sua rotina, seus filhos, etc., podem invadir o espaço, sem que eles consigam estabelecer uma linha divisória suficientemente clara.

Quando permanecem juntos, mas com importantes compromissos mal resolvidos, estes também podem gerar um clima desagradável por onde eles circulam, contaminando tudo. Comportamentos típicos, nesses casos, são crises de ciúme, de cobranças, de mau humor, coisas que podem ocorrer, gerando até mesmo planos de vingança. Há relacionamentos simplesmente infernais, destinados a durarem por toda a eternidade…

O excesso de proximidade também pode tornar-se cansativo para ambos, afetando o clima e gerando atitudes que revelam implicância, irritabilidade e mágoas, e também visando demarcar territórios.

Os bons resultados desse envolvimento namoro-amor-trabalho dependem mutíssimo do nível de auto-estima e de auto-confiança, do amor pelo parceiro, da maturidade e do equilíbrio de ambos, de sua saúde mental…

O NAMORO ENTRE CHEFE E SUBORDINADO

A vulnerabilidade de ambos provavelmente aumenta, porque a relação de hiearaquia é um fato e uma evidência, indo além dos jogos de poder que existem entre todas as pessoas, inclusive entre os casais que se amam. A relação amorosa e sexual pressupõe certo tipo e grau de equilíbrio, que a hierarquia formal pode tornar mais difícil. Mas, como acontece em todas as histórias de amor, o resultado dessa história é fruto de uma construção a dois…

OBRIGADA, FÁTIMA BERNARDES E EQUIPE! OBRIGADA TAMBÉM À EDITORA ARTMED, DO GRUPO A, PELA CONFIANÇA E PELO INVESTIMENTO EM MEU TRABALHO. AGRADEÇO TAMBÉM AOS COLEGAS E AMIGOS QUE CURTIRAM O PROGRAMA E QUE SE DISPUSERAM A LER TUDO ISSO, QUE ESCREVI PARA O ENCONTRO E PENSANDO EM CADA UM DE VOCÊS!